"Todos os dias tenho que mostrar que jornalismo investigativo é importante e dá lucro", diz Roberto Cabrini em evento

 
Nesta quarta-feira (9/10), profissionais especializados em pautas investigativas se reuniram no seminário internacional mídia.JOR, promovido por IMPRENSA, para debater ferramentas e conflitos éticos na apuração deste tipo de reportagem.
 
Em um painel mediado por Oswaldo Vitta, diretor de jornalismo da Rádio Brasil Atual, os jornalistas Roberto Cabrini, SBT, Rubens Valente, Folha de S.Paulo, e Sergio Lirio, CartaCapital, falaram sobre as maiores “pragas” do jornalismo investigativo, criticando a superficialidade de matérias cotidianas.

Vitta, há 40 anos na profissão, ressaltou que uma das maiores dificuldades na área é conseguir que empresas invistam na editoria. No SBT, onde o entretenimento está no DNA da emissora, Cabrini é editor-chefe do semanal “Conexão Repórter”. “Todos os dias tenho o desafio de mostrar que o jornalismo investigativo é importante, que pode dar lucros”, diz.

A grande dificuldade de executar jornalismo no Brasil é lidar com prazos, segundo o profissional. Além do deadline, nunca há como saber se a pauta vai dar certo. “As pessoas ficam sabendo das reportagens que vão para o ar, não daquelas em que apenas perdemos tempo e dinheiro”, relata Cabrini.

“O jornalismo investigativo demanda dedicação, renúncia.” Para ele, tal prática precisa, no entanto, produzir efeitos claros na vida do público e esse é um ponto que deve ser analisado na hora de escolher uma pauta. “Ganhamos o jogo quando conseguimos melhorar efetivamente a vida das pessoas.” 

“O jornalismo só tem sentido quando produz benefício para o público, ele tem de ser relevante.” De acordo com Cabrini, os lucros não podem estar em primeiro lugar. O jornalista ainda destacou a forte participação dos telespectadores, que interagem com o programa.

Sobre o uso de câmeras escondidas, o profissional diz que quando justificado pela melhora na vida das pessoas, deve ser praticado. No caso do “Conexão Repórter”, o recurso só é usado com o aval do Ministério Público e quando uma “comunidade inteira estiver sendo afetada”.

Rubens Valente, repórter da Folha de S.Paulo em Brasília, frisou a importância de debates como os promovidos pelo mídia.JOR. “Acho que eventos desse gênero são fundamentais, principalmente diante do atual ‘terremoto tecnológico’, que gera tantas dúvidas”, avalia. “É um momento propício para esses balanços, para debater a profissão.”

Segundo Valente, o jornalismo investigativo deixou de ser uma decisão editorial para ser uma imposição financeira. “As pessoas querem um jornalismo aprofundado.” Para ele, os veículos deveriam criar núcleos de investigação, para refletir, discutir e pensar as pautas.

Acerca de matérias desafiadoras, o jornalista defendeu que o grau de dificuldade dita a importância das reportagens. “Quanto mais difícil, mais importante ela é.” Ele diz que temos de ir além da cobertura diária.

O redator-chefe da CartaCapital, Sergio Lirio, apontou que a transformação nas pautas do “Globo Repórter” evidencia a falta de jornalismo investigativo na televisão. “O Cabrini é a exceção que comprova a regra [na TV].”

“Tenho muita implicância com o termo jornalismo investigativo, sobretudo no Brasil”, diz Lirio. Para ele, a reflexão e o questionamento devem estar em todas as pautas. O profissional foi crítico a pautas superficiais e baseadas em uma só fonte.

“Precisamos repensar esse método, a maneira como operamos essas coisas”, defendeu, dizendo que tal procedimento resultou na perda de relevância das reportagens. “Todo o tipo de investigação é válido, mas é preciso clareza.”
O mídia.JOR acontece nos dias 07, 08 e 09/10, no teatro da Aliança Francesa, em São Paulo (SP). O evento, realizado por IMPRENSA, é patrocinado pela Oi, com apoio da Aliança Francesa, Fenaj, Abert, Abradi, Aner e ANJ.

Fonte: Portal Imprensa
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