Livro de repórter do SBT entrelaça literatura, futebol e jornalismo

0-a-a-a-a-abola-verboCom prefácio de Juca Kfouri e apresentação de Ignácio de Loyola Brandão, o livro do jornalista esportivo Rodrigo Viana entrelaça três temas bastante caros aos brasileiros: literatura, futebol e jornalismo. Um verdadeiro clássico

Quem nunca se deliciou ao ler uma crônica de futebol? Elementos do conto, da poesia, do romance. Uma mistura perfeita para descrever a emoção desse universo apaixonante. Com a proposta de esmiuçar essa narrativa, o jornalista Rodrigo Viana foi buscar no futebol os argumentos para situar a crônica como gênero literário e também jornalístico. Por meio da análise e comparação de textos escritos por craques como Mário de Andrade, Lima Barreto, José Roberto Torero e João Saldanha, ele mostra como a crônica de futebol se instalou na imprensa brasileira e os desdobramentos desse movimento para a nossa literatura e para o jornalismo.

O resultado está no livro A bola e o verbo – O futebol na crônica brasileira (80 p., R$ 32,20), lançamento da Summus Editorial. O lançamento acontece no dia 15 de outubro, terça-feira, das 19h às 22h, no Bar O Torcedor – Museu do Futebol (Estádio do Pacaembu, Praça Charles Miller – Loja 1 – São Paulo – SP).
 
Ao decidir fazer sua dissertação de mestrado, Viana queria, antes de tudo, falar de um “jornalismo humano”. Um jornalismo que trabalha o texto de forma quase artesanal, que dialoga com um leitor imaginário e que o faz vivenciar a emoção de cada palavra. Amante dos gramados desde a infância – foi jogador de futebol antes de cursar jornalismo –, ele não precisou de muita pesquisa para encontrar seu objeto de estudo. “As crônicas de futebol já faziam parte da minha vida. Mergulhar nesse mundo, onde o jornalismo se aproxima da literatura, era um desafio épico, que enfrentei como missão”, diz o autor.

Para entrar nesse universo tão simples e tão complexo ao mesmo tempo, o jornalista descreveu inicialmente o percurso histórico da crônica até ela chegar ao Brasil. Em seguida, demonstrou em que momento sociocultural a crônica específica de futebol tomou vulto, contextualizando o surgimento e a consolidação da imprensa e do esporte futebol no país. Embasado historicamente, partiu para o olhar crítico dos textos produzidos pelos maiores cronistas literários da cena futebolística.

“Eles derrubaram a fronteira entre o jornalismo e a literatura, mesclando crônica e artigo, relato pessoal e análise jornalística, constituindo um caminho para o jornalismo literário”, afirma Viana.

A crônica moderna de futebol se afirmou e se desenvolveu num espaço heterogêneo e continua se aproximando de outros gêneros literários. A diversidade temática, o diálogo com o leitor, a liberdade formal e a peculiar leveza no tratamento dos assuntos consolidaram-se junto com o próprio esporte. Um esporte que se tornou paixão nacional, com uma magnitude que extrapola as quatro linhas do gramado.

Na apresentação da obra, o escritor Ignácio de Loyola Brandão descreve com maestria a sutileza de uma crônica: “Quanto mais simples é a escrita, mais difícil ela é na sua feitura. A simplicidade exige disciplina, talento, aplicação. E essa simplicidade aparente está aqui para decifrar uma coisa que parece simples, no entanto é complexa, o mundo do futebol. Bem-vindo ao mundo do futebol literatura, Rodrigo Viana”.

O autor

Rodrigo Viana nasceu em Ilha Solteira (SP), mas adotou Araraquara (SP) como cidade natal. Jornalista e mestre em Estudos Literários pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), é professor de pós-graduação em Jornalismo Esportivo. Repórter do SBT e colunista da revista Imprensa, ministra palestras, oficinas e workshops em parceria com a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom). Criador do FutCiência – grupo de estudos dentro da Universidade do Futebol – também é membro do Memofut – Grupo de Literatura e Memória do Futebol. Em mais de 15 anos de carreira, rodou o mundo atrás de boas histórias: em 2012, viajou para o Japão e acompanhou a saga do título mundial do Corinthians. Seguindo a linha investigativa no esporte, denunciou o esquema de venda de ingressos pela segurança da Fifa na Copa das Confederações, ocorrida em junho de 2013 no Brasil. É apaixonado pela Ferroviária de Araraquara, time em que jogou nas categorias de base.

Fonte: Comunique-se
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