SBT encerra sua versão de “Carrossel” no auge e sem destoar muito da mexicana


Depois de um ano e dois meses no ar, o SBT colocou um ponto final nesta sexta (26.07) em sua versão de "Carrossel". A trama, adaptada por Íris Abravanel (e equipe de colaboradores) e dirigida por Reinaldo Boury, conseguiu a façanha de consolidar não só a emissora no segundo lugar em sua faixa de exibição, mas um horário para histórias infanto-juvenis (20h30). O último capítulo marcou 14 pontos de média e 17 de pico, segundo prévia do Ibope. A Globo 27 e a Record 7.

A família se reuniu diante da TV. Muitos, hoje adultos e com filhos, eram crianças quando o canal de Silvio Santos apresentou - com estrondoso sucesso - a versão da mexicana Televisa no início dos anos 90. Além de matar saudade da história, queriam ver agora como os atores mirins brasileiros defenderiam personagens que marcaram uma época. O texto original, na verdade, é argentino e foi escrito em 1966: "Jacinta Pichimahuída, La Maestra que no se Olvida" (A Professora que não se Esquece).

Uma história simples, marcada pela inocência infantil e a relação carinhosa entre os alunos e a professora Helena (Rosanne Mulholland), ganhou temas hoje em alta como a relação das crianças com a tecnologia. Uma boa - e inevitável - sacada. A trama já tinha o bullying como foco por meio dos personagens Cirilo (Jean Paulo Campos) Maria Joaquina (Larissa Manoela). A novidade por aqui foi a inserção de um personagem cadeirante, Tom (João Lucas Takaki), a abordagem da deficiência física e do trato com as diferenças.

Muitos valores foram passados, o puro divertimento também, mas o que importa (em termos de audiência) é que a garotada de hoje se identificou com o que viu. Raramente a trama registrou menos de dois dígitos de audiência, se mantendo num confortável patamar entre 13 e 14 pontos de média. O sucesso se refletiu em produtos licenciados e shows pelo País.

Embora houvesse grande expectativa com relação a estreia da apresentadora Maísa Silva (Valéria) como atriz, foi Larissa Manoela quem mais se destacou - até pela força da personagem Maria Joaquina. Para os que gostam de comparações a Valéria mexicana (Crystel Klithbo) era mais marcante que a nossa, até em sua caracterização (mais despachada, mais moleca).

Já que estamos nessa linha, os que viram a versão mexicana podem concordar que Jaime Palillo (Jorge Granillo), Carmem (Flor Eduarda Gurrola), Laura (Hilda Chávez) e Marcelina (Georgina Garcia) são exemplos de personagens que não encontraram por aqui intérpretes à altura dos mexicanos. No caso, foram vividos pelos brasileiros Nicholas Torres, Stefany Vaz, Aysha Benelli e Ana Vitória Zimmermann, respectivamente. Para quem se entregou ao remake sem comparações, é claro que nossos pequenos astros deram contra do recado.

No caminho inverso, podemos citar aqueles que surpreenderam, comparados aos atores mexicanos:Paulo Guerra (Lucas Santos), Daniel (Thomaz Costa), Davi (Guilherme Seta), Kokimoto (Maheus Ueta) e Alícia (Fernanda Concon), por exemplo. Maurício Armando, Abraham Pons, Joseph Birch, Yoshiki Taquiguchi e Silvia Guzmán foram os intérpretes mexicanos, respectivamente.

Páreo duro entre a dupla Cirilo e Maria Joaquina nacional e mexicana, até pela força dos personagens na história. Gostei muito de Larissa. Jean (muito carismático) foi se soltando ao longo dos capítulos, algo natural. Os dois fofos e profissionais em cena. Mas ainda fico com os mexicanos (hoje já crescidos) Ludwika Paleta e Pedro Javier Viveros.

Na maioria dos casos a aposta foi na semelhança física, algus atores mexicanos e brasileiros pareciam irmãos gêmeos. Impressionante como Mário, o garoto pobre dono do cachorro Rabito, eJorge, o riquinho esnobe, brasileiros (Gustavo Daneluz e Léo Belmonte) se assemelharam aos mexicanos (Gabriel Castañón e Rafael Omar Lozano). No elenco adulto, Firmino (Fernando Benini) e a diretora Olívia (Noemi Gerbelli) - ótimos em cena, por sinal - também eram cópias (falo de aparência e figurinos) de Beatriz Moreno e Augusto Benedico.

Já Rosanne Mulholland, que tinha outros trabalhos bacanas no cinema e na TV, ganhou destaque por conta da professora Helena. Apesar disso, essa não ficou marcada como a "novela da professora Helena", como ocorreu com a versão que o SBT exibiu de 1991 a 1992.

Gabriela Rivero, numa atmosfera mais romântica e figurino inigualável (que até parecia um uniforme) conquistou o Brasil, após a exibição da novela mexicana. Nossa Helena estava mais de acordo com os dias atuais e com a nossa realidade, o que se viu em roupas e atitudes. Rosane imprimiu sua marca na personagem.

Comparações à parte, um grande acerto do SBT foi colocar o ponto final na trama enquanto ela estava no auge, ao contrário do que fez quando produziu "Chiquititas" pela primeira vez (1997/2001), encerrando a história na quinta temporada - e cansando a audiência. Tudo bem que já se fala em uma nova fase de "Carrossel", mas vamos aguardar. A reedição dos capítulos e a redução do tempo para 30 minutos (para dividir horário com o remake de "Chiquititas" e segurar o público) fez com que o final ficasse muito picotado.

Para se ter uma ideia, no México, após a primeira exibição - com 375 capítulos -, criaram a continuação ("Carrossel das Américas"), que já não surtiu o mesmo efeito. Em 2002, a própria Televisa lançou o remake "Vivan los Ninõs" - mudando nomes de personagens e apostando em novas tramas -, que também não foi lá essas coisas. O SBT o exibiu em 2003 como "Viva as Crianças - Carrossel 2".

Fonte: Gustavo Baena (Yahoo!)
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